Posts de novembro \12\UTC 2009

Ações do Botafogo faz prefeitura criar casas de passagem

novembro 12, 2009

Cidades
Prefeitura cria ‘casas de passagem’

Objetivo é garantir o respaldo ao processo de reabilitação dos dependentes de álcool e de drogas

Delma Medeiros
DA AGÊNCIA ANHANGUERA
delma@rac.com.br

Criar residências terapêuticas, as chamadas “casas de passagem”, para dar respaldo ao processo de reabilitação de dependentes de álcool e drogas, é a proposta de Campinas para enfrentar o avanço do consumo, especialmente do crack, entre adultos jovens. Levantamento da ação Bom Dia Moradores de Rua mostrou que oito entre dez mendigos usam entorpecentes, sendo cinco dependentes do crack. “A Secretaria de Saúde não pode fugir à responsabilidade de dar uma resposta aos dependentes químicos, um sério problema de saúde pública”, afirma o secretário José Francisco Kerr Saraiva.

De acordo com o secretário, o consumo de drogas acarreta problemas sociais, como agressividade, depredação e furto de móveis e objetos, o que dificulta o retorno dos usuários para suas casas. “Nos surtos agudos, é preciso internação para desintoxicação. Mas, depois, é preciso um período de reabilitação para preparar o usuário para o retorno ao convívio social. Aí, entram as casas de passagem”, diz Saraiva. Ele lembra que a internação psiquiátrica é pelo tempo mínimo necessário para reestruturar o paciente. “Nas casas (de passagem) eles vão morar, ter autonomia sobre suas vidas, participar das tarefas cotidianas, fazer a própria refeição. A diferença é que serão acompanhados por psicólogos, com apoio de monitores.”

O primeiro passo do programa de atenção a usuários de álcool e drogas é a ativação da Clínica de Psiquiatria montada no Hospital Ouro Verde. A unidade, com 20 leitos, foi inaugurada recentemente pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, mas ainda depende de recursos federais para entrar em operação. Na próxima semana, Saraiva vai a Brasília negociar a liberação de R$ 125 mil mensais para o custeio do serviço. Na ocasião, vai apresentar também o projeto de instalação das casas de passagem e buscar recursos.

A proposta prevê a instalação de cinco unidades, uma em cada Distrito de Saúde, em imóveis alugados. “Sou contra alugar imóvel para montar centros de saúde, porque demanda uma reforma grande e de alto custo. Mas as casas de passagem podem ser implantadas em residências comuns, já que têm a finalidade de servir mesmo de moradia”, diz o secretário. As casas funcionariam nas imediações de centros de atenção psicossocial específicos para álcool e drogas (Caps-AD). Campinas dispõe de dois Caps-AD, nas áreas Sul e Leste. “Queremos construir mais três, um em cada região. A ideia é que atuem juntamente com as casas de passagem”, afirma Kerr Saraiva.

O projeto das residências terapêuticas já está pronto e será apresentado nos próximos dias ao prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT). Para Kerr Saraiva, a iniciativa atende a uma solicitação do próprio pedetista, que pediu uma resposta de tratamento e acompanhamento dos pacientes pobres, que não podem pagar uma casa de repouso ou de reabilitação.

Crack age diretamente no ‘centro de prazer do cérebro’

De acordo com especialistas, o crack é muito viciante porque tem efeito similar ao da cocaína. Provoca a liberação de várias substâncias que agem no “centro de prazer do cérebro”. “O crack é um estimulante do sistema nervoso central e gera sensação prazerosa”, explica o psiquiatra José Carlos Loureiro Júnior. A diferença para cocaína é que a absorção do crack é muito mais rápida e o efeito, mais imediato e curto. “Como a cocaína, que age no ‘centro do prazer’, o crack causa muita dependência. O agravante é que é uma droga barata e, portanto, mais acessível. E como o efeito é mais curto, o consumo é ainda maior”, diz Loureiro Júnior. Outro agravante do crack é que o organismo se adapta melhor às drogas de efeito menor e mais duradouro. “A intensidade alta traz junto maiores efeitos colaterais”, diz o psiquiatra. O uso da droga pode causar hipertensão, enfarte, acidente vascular cerebral e sobrecarga renal, pela liberação da dosagem intensa. “Pela sua própria dinâmica, de pico mais rápido e curto, o crack é mais devastador para o organismo.” (DM/AAN)

Ação social promove o reencontro de dois irmãos

Viciado em crack há 15 anos, Djair Elias recebeu um abraço de Daiane, a única da família que vive em Campinas

Adriana Giachini
DA AGÊNCIA ANHANGUERA
amaral@rac.com.br

O reencontro entre dois irmãos, após cinco meses, silencia a equipe médica e as assistentes sociais presentes. O abraço familiar apertado é, ao mesmo tempo, alívio e temor. Comemora-se a vida. Teme-se a morte. Entre emoções distintas, surge uma esperança para ser carregada nas mãos: o bilhete de volta para a casa dos pais, em Cafelândia (a 345 quilômetros de Campinas). O destino de Djair Elias, viciado em crack há 15 anos, faz parte das estatísticas recentes do programa Bom Dia Morador de Rua, que integra as ações da Operação Tolerância Zero, da Prefeitura de Campinas. Em cinco semanas e quatro mutirões, 405 pessoas foram cadastradas pela Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência e Inclusão Social. Desse número, 118 tiveram atendido o desejo de voltar para seus municípios de origem.

As passagens são pagas por Campinas, mas diante do compromisso das outras cidades em acolher novamente seus moradores. Os valores gastos ainda são contabilizados pela Prefeitura. “A gente não tinha esperança de encontrar meu irmão vivo. Minha mãe procurava constantemente a delegacia de Campinas e ouvia sempre a mesma resposta: não tinham informação sobre ele. Graças ao projeto da Prefeitura, entretanto, meu irmão voltou para casa”, diz a cortadeira de roupas Daiane Elias, de 24 anos, única da família que ainda vive em Campinas. “O vício teve consequências devastadoras. Meus pais perderam o emprego. Ou melhor, perderam quase tudo o que tinham. Por sorte, meu irmão está vivo.”

Foi Daiane quem recebeu o telefonema das assistentes sociais de Campinas quando o irmão, após ser cadastrado no primeiro mutirão do Bom Dia Morador, participava, novamente, da terceira edição. “Quando cheguei lá, ele abaixou a cabeça. Depois, me contou que foi por vergonha. Por isso, também não voltou para casa, nem procurou ninguém da nossa família. É complicado e acredito que ele deseje deixar o vício, mas sem uma ajuda isso não será possível”, afirma Daiane.

A Prefeitura de Campinas acompanha, diariamente, a luta da família para conquistar uma vaga em um centro de recuperação em Cafelândia. “Fazemos um referenciamento antes de dar a passagem de volta, para que aquele morador encontre o amparo social que necessita. Cada município tem de cuidar de seus moradores”, diz a secretária de Cidadania, Darci da Silva.

Um estudo sobre os principais destinos dos moradores de rua está sendo monitorado pela Administração municipal (veja os números completos no quadro). Minas Gerais e Paraná, com nove pessoas cada, representam os estados que mais receberam pessoas dentro do projeto. Também entram na lista Bahia, Maranhão, Mato Grosso do Sul e Ceará. O recordista, naturalmente, é o Estado de São Paulo, que abriga 72 dos 118 mendigos mandados de volta para casa. Nesse caso, Santos, no Litoral paulista, é o destino, somando 15 pessoas. Empatadas na segunda colocação aparecem São Carlos e Ribeirão Preto, com sete cada.

BALANÇO – Da ação Bom dia Morador de Rua

Das 405 pessoas cadastradas, foram enviadas:

22 para o Serviço de Atendimento ao Migrante, Itinerante e Mendicante (Samim)

19 para cadastro no Centro Público de Apoio ao Trabalhador (CPAT)

39 para casas de apoio

13 para os centros de atenção psicossocial (CAPs)

18 para internações

10 para o Serviço de Acolhimento e Referenciamento Social

31 para o Pronto Atendimento

6 para o Conselho Tutelar

6 para casa em Campinas

118 para outras cidades ou estados

123 voltaram para as ruas

Dados: Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência e Inclusão Social

 


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